terça-feira, 7 de julho de 2009

Life...


Breviário


Chego a casa casando de olhar as águas calmas do grande lago. Perco-me em pensamentos vãos onde tento escutar a tua voz nos cânticos de outrora. Estou irremediavelmente surdo ou vazio de espírito. Cresce em mim esta saudade, atormentada pela visão de outros braços por ti desejados. Assim me quedo inútil!

Lembras os momentos de paixão arrancados das profundezas do mar? Esse ternos gritos de desejo em que os nossos corpos á distancia roubavam o espaço.

Queria saber que era por mim que ainda suspirava teu peito enquanto esperavas a barca, mas as ondas recusam o som dos remos. Recusam simplesmente! Grito pelo homem da barca que te levou. Insulto o filho da puta e sinto-me ridículo, humanamente ridículo e reles.

Anseio dar-te mais uma vez o meu peito. Gritar meu nome feito de trevas e escolhos e lama. Anseio a mortalha do teu corpo onde me perdi. Onde mil vezes me perco ainda em desvarios. Queria somente ser, ser-te, matar-te a sede com o meu corpo cansado. Queria somente!

Não mais sentir o escárnio e a ausência.

Ali me pereci á beira das águas em pranto clamanto teu nome, em preçe rogando teu regresso para em teu peito renascer morrendo!